Placa de vídeo com problema? Tente isso, veja como eu salvei minha GTX sem gastar nada!

por Marcos Elias

O que fazer quando sua placa de vídeo começar a apresentar problemas? A maioria das pessoas imediatamente pensa em comprar outra, afinal é uma das formas mais práticas de “resolver o problema” sem ter dor de cabeça. Mas nem todo mundo pode apelar para este método: a falta de dinheiro pode ser um fator complicador dos grandes. Levar para conserto? Bem… Talvez, mas o custo pode não ser tão vantajoso. Dependendo da placa de vídeo, o custo do conserto se assemelha ao preço de uma nova, especialmente no segmento intermediário.

Existem vários tipos de problemas que podem ocorrer com placas de vídeo. Elas são peças bem complexas. São quase que um novo computador, com uma placa mãe própria e diversos chips de apoio ao seu processador gráfico. Você pode tomar uma ação diferente dependendo do sintoma. Comece suspeitando das coisas mais simples, deixando o pior para depois. Mas não se iluda: as placas de vídeo costumam dar problema dependendo do uso ao longo dos anos. Quase todo mundo tem ou teve problemas sérios com suas GPUs, mais cedo ou mais tarde. Se ainda não aconteceu com você, relaxe! Uma hora vai.

A boa é que muitos desses problemas podem ser contornados sem precisar de fato consertar a placa. Ela pode durar mais vários anos ou meses com os efeitos do problema minimizados, ou quem sabe não apresentar mais sintoma algum. É tipo amputar uma perna ou braço mas continuar vivo, realizando todas as atividades que se fazia antes. Com um pouco mais de dificuldade, talvez, mas sem perder a essência.

Eu sobrevivo com minha GTX 460 há anos com problema. Ela tem sequelas, mas funciona: me permite jogar, editar meu simulador de ônibus e renderizar texturas no Blender – ação que usa 100% do poder da GPU. Este artigo trará um pouco da minha experiência com ela, que pode ser útil para muitas pessoas com outros modelos de placa de vídeo também. Em tempo, minha placa de vídeo começou a dar problema depois que ficou umas duas semanas ligada direto no máximo, mineirando altcoins… que seriam trocadas por Bitcoins depois. Só preju rs.

A primeira coisa: cheque a temperatura

Grande parte dos problemas começa por superaquecimento. O chip gráfico esquenta demais quando opera com todo seu potencial. Se sua placa não tem um sistema de resfriamento adequado, ela poderá chegar na temperatura limite e ser desligada automaticamente para evitar danos maiores. Com isso o PC pode reiniciar, ou o Windows mostrar uma mensagem como “O driver de vídeo parou e se recuperou…”. Não tem nada a ver com o driver, o software, nesse caso. Mas com o hardware mesmo. O sitema perde a comunicação com a placa de vídeo: é como se ela fosse desconectada.

Você pode usar programas como o GPU-Z para medir a temperatura da placa de vídeo (veja a aba Sensors). As placas de vídeo têm sensores que informam vários dados ao sistema, e programas como o freeware GPU-Z lêem estes dados e os apresentam numa interface amigável.

como medir a temperatura da placa de video

como medir a temperatura da placa de video

É difícil dizer uma temperatura ideal para todos os PCs, mas normalmente ficará abaixo de 50º em uso normal e a uns 70º, 80º durante jogos. Quanto mais frio melhor, pois operar por muito tempo com altas temperaturas será um fator de dano para sua placa. Ela poderá “morrer mais cedo” ou apresentar problemas mais frequentes caso opere em altas temperaturas por longos períodos de tempo.

A ventilação do gabinete conta muito, mas o cooler da placa de vídeo é a parte essencial. De tempos em tempos é bom desmontar o apoio do ventilador dela e trocar a pasta térmica, exatamente como nos processadores tradicionais (CPU), além de fazer uma limpeza na poeira, se houver. Se o cooler que veio com ela não for forte o suficiente ou estiver cansado (fadiga), vale a pena experimentar coolers melhores que podem ser vendidos à parte ou mesmo adaptados por você. Quanto mais baixa você conseguir deixar a temperatura, mais saudável será a operação da sua GPU!

Nessas horas vale tudo: gambiarras, troca do dissipador e cooler por um modelo removido de placas superiores, adição de novos ventiladores mais potentes, etc.

Também é possível aumentar a velocidade da ventoinha dela, permitindo que o resfriamento seja mais eficiente. Isso pode gerar ruído, mas é menos pior do que judiar da placa, né? Programas como o MSI Afterburner permitem alterar a velocidade da ventoinha, desde que suportado pelo seu driver. Falarei dele a seguir.

O calor aumenta as chances de problemas no BGA (Ball Grid Array, onde ficam umas bolinhas de solda… falarei mais já já, na técnica do forno). Os materiais se dilatam com o calor, literalmente aumentam de tamanho. E se contraem quando esfriam. Ou seja, operar em altas temperaturas por tempo prolongado pode “rapidificar” a ocorrência de pequenas rachaduras ou trincas nos componentes de solda da placa. Eles podem reduzir a área de contato por onde passa a eletricidade, ou mesmo isolar as partes rachadas, impedindo que determinada parte do chip receba energia. Aí já viu: tela azul, sistema reiniciando, artefatos na tela, cores trocadas (embora o vilão de cores trocadas geralmente seja o cabo ou o monitor)… Ou mesmo ausência total de vídeo ou impedimento do PC de ligar.

Tira-teima: teste outra fonte; ou outra placa

Antes de partir para as próximas etapas, seria bom garantir que o defeito realmente está na sua placa de vídeo, não em outro componente. O processador principal (CPU) também pode fazer o PC reiniciar ou desligar sozinho ao esquentar (verifique a temperatura com o Core Temp ou outros programas, no caso). As memórias podem apresentar instabilidades ao tentar gravar ou ler em determinado endereço danificado (rode testes de memória, como o Memtest86, disponível em vários Linux em liveCD/USB). A fonte pode estar zoada, não conseguindo entregar toda a energia que o PC precisa nas tarefas mais pesadas – ao rodar um game 3D, por exemplo, quando a placa sugaria mais energia…

Para certificar-se de que é a GPU mesmo, seria bom testar outra fonte, ou testar a placa de vídeo em outro computador que você saiba que está saudável.

Mas se suspeitar fortemente da GPU, bora seguir para a próxima recomendação, que geralmente é inofensiva e reversível – nem precisa desmontar o computador.

Tente reduzir o clock de operação e memória

Se sua placa de vídeo se comporta bem ao ligar o PC e realizar tarefas leves, mas dá problemas apenas ao jogar ou rodar vídeos, ou programas mais pesados, talvez esta dica lhe sirva. Serviu para mim, e para um monte de gente com problemas comuns na GPU.

O computador reinicia ao tocar vídeos?

O computador reinicia ao abir um jogo 3D?

O computador reinicia, trava ou fica muito lento nos jogos?

O Windows fica mostrando a mensagem “O driver de vídeo parou de responder e se recuperou…” frequentemente?

Se é seu caso, vale experimentar esta técnica: underclock, ou downclock. Seria o oposto do overclock. Muita gente aumenta a velocidade de operação da placa para fazê-la trabalhar mais rápido, ganhando mais fps nos jogos ou reduzindo o tempo de renderizações e operações diversas em aplicações CUDA. A dica aqui, em caso de problema, é reduzir um pouco o clock e testar, vendo se a placa fica estável. Se não ficar, reduza mais um pouco. Se não der certo, tente também aumentar um pouco o core voltage. Faça por sua conta e risco: para minha GTX 460 deu certo. Nada a perder se a placa já estava danificada, não é mesmo?!

Rodei por mais de dois anos minha GTX 460 com o clock de GPU e memória reduzido em uns 150 MHz cada, além do core voltage um pouco maior. Ela ficou estável! Nunca mais deu problema nesses dois anos: todos os jogos rodaram, direto faço renderizações no Blender usando a GPU para meus ônibus em 3D, o que consome 100% de processamento e memória de vídeo, e tudo funcionou bem. Sem reinício, sem tela azul, sem mensagem de driver recuperado, sem artefatos. Por mais de dois anos!

Para fazer esta alteração o melhor software que encontrei foi o Afterburner, da MSI. Ele funciona com placas de outros fabricantes também, não é exclusivo da MSI não, apesar do nome.

Veja neste vídeo como eu fiz para continuar usando minha GTX 460 com problema por mais dois anos:

Veja direto no YouTube, se preferir: Tutorial do Afterburner para fazer underclock na placa de vídeo e resolver problemas

Ele pode ser útil também apenas para aumentar a velcidade do ventilador dela, caso você sinta que não está resfriando o suficiente. Desmarque o “automático” e altere a porcentagem da potência do ventilador.

Reduzir o clock fará a placa operar a uma velocidade menor, o que pode significar perda de frames em alguns games, ou maior tempo de renderização e processamento do CUDA. Mas é melhor do que ficar sem placa se você estiver sem dinheiro, né?! No meu caso, pelos games que uso, a redução foi insignificante – OMSI, ETS, etc. Nem percebi. Se for o caso, tente reduzir um pouco as configurações dos jogos que você usa. O que importa é conseguir jogar a um nível aceitável para você!

Infelizmente depois de quase três anos a minha GTX começou a apresentar artefatos gráficos. Aí eu tive que partir para uma técnica mais ousada, que sinceramente eu não botava fé, mas… Não é que funcionou? :o

O extremo: colocar a placa de vídeo no forno realmente funciona?

A minha GTX 460 começou a mostrar artefatos na tela: pontos coloridos, piscantes. Durante alguns dias foi algo esporádico, mas foram aumentando. Até que começou a travar o computador no uso normal, não só em games. Reinícios automáticos, congelamento, fechamento de programas 3D (como o Blender e jogos)… Zoado, né?!

Eu tirei a placa e fiquei na integrada do meu pobre i3, sofrendo com a Intel HD Graphics 2000… Mas vi um colega postar no Facebook que “assou” a dele (valeu, Jefferson Fontenele!). E voltou a funcionar! Eu já tinha ouvido por aí sobre a técnica do forno, mas não tinha coragem e achava doideira. Foi com um relato real de alguém mais próximo que vi, poxa, não é que pode dar certo mesmo?!

Não deu outra: a GTX 460 já estava encostada mesmo… Vi uns vídeos, segui algumas recomendações de proteção dos elementos mais sensíveis dela com papel alumínio… Uns 10 minutos no forno e pronto!

Ela ainda precisa operar com clock reduzido e core voltage maior, exatamente como nos dois anos em que rodou assim. Sem isso ela voltou com o mesmo problema, mas sem os artefatos. E sem reiniciar o PC! Sem fechar programas, tela azul, nem nada.

Vai uma placa de vídeo assada aí? Faltaram as batatas... :p

Vai uma placa de vídeo assada aí? Faltaram as batatas… :p

O forno não resolveu o problema que ela já tinha, mas resolveu o último, que parece não ter ligação com o outro. Talvez eu não tenha deixado tempo suficiente no forno? Pode ser.

To ligado que vou ter que providenciar outra em breve, mas pelo menos por mais algumas semanas – talvez meses – a GTX assada segue firme e forte aqui no PC, rodando todos os jogos que preciso, realizando minhas renderizações no Cycles (Blender), etc. Sem um reinício, sem mensagem de driver se recuperando, sem artefatos!

Foi um caso de sucesso sensacional, pois eu não botava fé. Desde o momento em que desmontei a placa para colocar no forno fiquei com pensamentos negativos na cabeça: isso não vai dar certo… Vai que queima meu slot PCI Express, zoa a placa mãe?! Não seria impossível, dependendo dos contatos alterados com os componentes derretidos hehe…

Entendendo a parte técnica da placa no forno

Já que funcionou e sou uma prova viva disso, eu quis saber mais sobre a técnica. Por que a placa volta a funcionar? O que acontece, exatamente? Nas minhas pesquisas encontrei o canal TecLab no YouTube, excelente, por sinal. Vale a pena ver!

O cara explica em detalhes o que acontece na parte das bolinhas de solda no BGA – aquela matriz de bolas alinhadas, que fazem o contato entre a placa e o processador gráfico.

https://www.youtube.com/watch?v=qteMA0hwrIQ

Eu pensava que as esferas do BGA eram derretidas na temperatura do forno, mas não parece que é um derretimento completo, apenas uma dilatação seguida de um resfriamento com reacomodação.

Pode fazer funcionar, caso as partes quebradas fiquem conectadas. Mas pode não dar certo também. Levar ao forno novamente pode resolver problemas que a primeira tentativa não resolveu, já que será imprevisível a forma de movimentação dos componentes no calor. Para algumas pessoas dá muito certo, para outras não dá efeito algum. Os hardwares têm vida própria haha.

No desespero… Se você gosta de fuçar, adora aventuras e não tem medo de danificar o restante do PC caso alguma zica muito grande aconteça, vale a pena.

É isso aí, explorando e aprendendo na pobreza. Essa GTX 460 ainda vai longe, pelo visto!

Placa de vídeo entortada? Cuidado!

Ah uma última observação… Além do calor, outra coisa que pode aumentar as chances de matar sua placa de vídeo são as pressões em cima dela. Pela posição em que ela fica, uma ponta tende a entortar, fazendo uma certa força, um “peso” para baixo. Especialmente nas placas grandes, ou com coolers ou dissipadores alterados. Nesse caso vale a pena colocar um suporte para a placa de vídeo, impedindo que ela “entorte”. Não precisa pagar caro, dá pra improvisar facilmente com alguma peça de plástico ou madeira. Não use nada que possa transmitir corrente elétrica, claro, já que poderia criar um contato entre algum ponto da placa com o gabinete, que geralmente fica levemente energizado :p

Download dos programas citados: Afterburner, GPU-Z e CPU-Z

Baixe os programas citados diretamente do site de seus fornecedores, para evitar publicidade desagradável que alguns sites de download embutem.

GPU-Z, que dá detalhes sobre a placa de vídeo:
https://www.techpowerup.com/gpuz/

CPU-Z, que dá detalhes sobre o processador principal:
http://www.cpuid.com/softwares/cpu-z.html

Core Temp, para saber a temperatura de operação dos núcleos do processador:
http://www.alcpu.com/CoreTemp/
core temp como saber temperatura do processador
Dica: na instalação do Core Temp, desmarque tudo o que não for essencial, senão ele pode instalar programas “patrocinados” como um game.

Afterburner, que permite alterar parâmetros extras da GPU normalmente não disponíveis no programa do fabricante, como velocidade da ventoinha, clock de operação e energia (para fazer overclock ou underclock na placa de vídeo):
https://www.msi.com/page/afterburner

Para finalizar…

Eu só queria um MSI Afterburner-like para Linux. Como a redução do clock e o aumento do core voltage foram feitos via software no Windows, ao usar outro sistema, como o Linux ou um Hackintosh, a alteração não estará presente. Se desse para aplicar isso diretamente no firmware dela… Talvez dê, estou atrás… Se souber me indique aí! E também estou a procura de um programa do gênero para Linux, não achei nenhum.

A criatividade fica por sua conta. Máquinas que geram calor precisam de cuidados na operação, com o computador não seria diferente.

É isso! Se o artigo te ajudou, compartilhe aí com seus amigos? :D

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