Como instalar o Windows?  
 

A instalação do Windows fica mais fácil a cada versão. Não é nenhum bicho de sete cabeças, e em condições normais, não tem o que dar errado. Não vamos abordar neste livro o boot pelo disquete, mas sim pelo CD. Os CDs originais do Windows, ou as cópias completas, permitem que o sistema operacional seja instalado diretamente a partir do CD, sem precisar entrar no DOS como muitos faziam com o Windows 98.

A idéia é colocar o CD na unidade de disco antes de ligar o computador. O PC deverá dar boot pelo CD, muito comum em máquinas a partir de 1998, hoje eu diria que 101% dos computadores suportam isso. “Dar boot” se refere a “iniciar o computador”. Quando você liga o PC, ele executa uma série de testes básicos de rotina, verifica se tem placa de vídeo, memória, se tudo está OK. Estes testes estão gravados num chip no computador, o CMOS. Dependem e variam de fabricante para fabricante. Após a rodada de testes, ele passa o comando para o sistema operacional. Sistema operacional é o principal programa de um computador, na verdade um grupo geralmente grande de pequenos programas que agem unidos, e é o sistema operacional (S.O. abreviado, ou O.S., em inglês, de “Operating System”) que possibilita a execução de programas, a interação do usuário com a máquina pelos dispositivos de entrada, a exibição de coisas no monitor, etc. Se não tivesse um sistema operacional, o computador ficaria parado, e todo o conjunto físico, de hardware, não valeria literalmente nada. Como eu sempre digo, “hardware sem software não é nada”!

Dar o boot pelo CD significa iniciar o computador a partir de um sistema gravado num CD. Como ao instalar o Windows do zero, o HD estará vazio, então damos boot pelo CD. Ele copia arquivos, detecta os dispositivos do computador e então se prepara para depois dar boot pelo HD. No entanto pode-se, a qualquer momento, dar boot pelo CD novamente, seja para reparar o sistema ou instalá-lo novamente. Existem também sistemas que rodam direto do CD, inclusive em máquinas sem HD! Um exemplo é o Kurumin Linux, e outro exemplo é o próprio Windows, quando modificado por um programa específico (há uma dica on line no Explorando sobre isso, mas não vem ao caso agora).

Os computadores têm um programa interno, chamado BIOS (“Basic Input Output System“, Sistema Básico de Entrada e Saída). Esse sistema controla diversas configurações do hardware da máquina, configurações estas que podem ser alteradas por meio de um programa chamado SETUP. Esse programa vem no computador, num chip, o CMOS também. Por padrão, é comum o computador sempre dar boot pelo HD, afinal é lá que o sistema operacional fica instalado, e quando você liga o computador, supõe-se que você queira carregar o sistema do HD. Se não houver um sistema operacional, a maioria dos computadores tenta inicializar pelo disquete, ou pelo CD. Em algumas máquinas isso é detectado automaticamente, em outras você deve determinar a ordem preferida, se quer iniciar pelo HD ou CD, ou pelo disquete. Quando você vai instalar o sistema operacional, é recomendável entrar no SETUP e alterar essa configuração, pedindo para iniciar primeiro pelo CD, depois pelo HD. Depois de instalado, no entanto, é bom voltar lá e deixar a inicialização pelo HD em primeiro lugar. Isso porque, se você deixar pelo CD, toda vez que for iniciado o computador procurará por um CD na unidade, o que pode consumir alguns segundos.

A forma de acessar o SETUP varia de máquina para máquina. Normalmente tecla-se determinada tecla enquanto o computador está sendo ligado. Em muitos computadores é a tecla “Del”, “Delete”. Ligue o computador e imediatamente fique teclando Del várias vezes, até que apareça a tela do SETUP. Em outros computadores é comum ser a tecla F2, F8 ou F10, sendo a F2 muito comum em notebooks. Se você não teclar a tecla em um pequeno intervalo de tempo após a inicialização do computador, então ele iniciará pelo dispositivo de boot configurado como padrão.

No SETUP geralmente não se tem acesso ao mouse, você deve alterar as opções usando as setas de direção do teclado, e teclar “enter” para confirmar as opções. Lembra bem consoles de videogames mais antigos, para carregar jogos ou configurá-los.

Para você não se confundir com os nomes, veja rapidamente: CMOS é um chip, um circuito eletrônico. BIOS é o programa básico de todo computador, que fica gravado nesse chip. O SETUP é a interface que permite escolher e configurar algumas opções do BIOS.

Veja uma tela de exemplo de SETUP, vamos mostrar como alterar a ordem do boot por ela.

 

 

Acima está a tela inicial de um tipo de SETUP para determinado tipo de BIOS. Para alterar a ordem do boot, teclamos a seta para a direita, até selecionar a parte do boot:

 

 

Deixe selecionada a opção “Removable Devices”, que se refere aos dispositivos removíveis (como CD ou disquete). Use o comando de salvar e sair (“Save and Exit”), neste exemplo seria teclando F10.

Ao salvar, o computador será reiniciado e, se tiver um CD de boot no drive, ele será iniciado pelo CD. Depois de instalado o sistema, volte no SETUP e deixe como dispositivo de inicialização o HD (“Hard Drive”). Em alguns micros nem precisa, pois ele só tentará iniciar pelo CD se houver um CD na bandeja. Mas, geralmente, deixar a inicialização pelo HD em primeiro lugar faz com que o computador seja iniciado mais rapidamente, já que não terá que procurar por um CD de boot (visto a relativa lentidão dos drives de CD para acelerar e identificar o disco).

Dando boot pelo CD do Windows 2000/XP ou superior, ele mostrará uma tela de boas vindas, e os comandos que você deverá escolher. Basta ler as mensagens na tela e teclar, no teclado, as teclas solicitadas. O particionamento e a formatação do HD serão vistos no próximo tópico. Durante a instalação é normal que a tela pisque por alguns segundos, e que o computador seja reiniciado automaticamente algumas vezes.

Se já houver um sistema no HD, o CD do Windows pedirá para teclar uma tecla se você quiser iniciar do CD. Isso porque, se ele iniciasse do CD depois das reinicializações automáticas da instalação, a instalação recomeçaria do CD...

Enfim, não há segredo.

O que você viu aqui vale para outros sistemas também, inclusive para iniciar um sistema pelo CD, mas é claro que a instalação desses outros sistemas pode ser bem diferente do Windows.

Não altere nada no SETUP se não souber o que está fazendo. Todavia, geralmente eles têm uma opção para restaurar as opções padrões. E lembre-se, o SETUP varia de computador para computador, não dá para expor um modelo de todos. Em alguns casos encontrar a configuração do boot pode demorar um pouquinho, especialmente se você não entender inglês.

Saiba que: alguns computadores de determinadas marcas, “marditas” marcas, limitam o acesso ao SETUP ou permitem apenas uma restauração do sistema que já veio instalado no PC. Evite computadores assim. Em alguns casos é simplesmente impossível dar boot pelo CD para instalar outro sistema, tendo que reinstalar o original que veio com o computador, e então fazer a atualização para o novo sistema (se suportada!).

Instalação no modo de atualização

Há ainda um tipo especial de instalação do Windows: o modo de atualização. Ele serve quando você já possui uma versão anterior instalada, e quer atualizá-la para o novo sistema. A instalação neste caso é muito, muito fácil, e dispensa maiores comentários. Simplesmente inicie o Windows que você já tem, coloque o CD do novo Windows, e na instalação, escolha o modo de atualização. Não há muito o que configurar: o sistema detectará o hardware, substituirá os arquivos de sistema da versão antiga pelos da nova, e no final você terá o novo sistema. Uma grande vantagem: os programas e configurações são mantidos. Na atualização, você não corre o risco de perder dados, nem precisa formatar o HD. Em contrapartida, se o sistema anterior já estava instalado há muito tempo, com diversos resíduos de programas, todo esse "lixo" permanecerá no novo sistema. Usuários avançados normalmente recomendam uma nova instalação, e não uma atualização. Para fazer novas instalações, é uma boa idéia formatar a partição onde o sistema será instalado, excluindo tudo dela. Uma dica para não perder dados é manter pelo menos duas partições separadas, uma para o sistema, e outra para seus arquivos. Isso é comentado em detalhes no próximo capítulo.

Alguns problemas podem decorrer de uma atualização. Primeiro, não é possível atualizar de qualquer versão para qualquer versão. Pode-se atualizar do Windows 95 para o 98, do 98 para o Millennium, do 98 para o 2000 ou XP, etc. Mas não é possível atualizar de uma versão mais nova para uma mais velha, nem atualizar de sistemas de servidores para desktops. Checada essa fase, vem os periféricos: muitos dispositivos que funcionam corretamente numa versão de Windows, podem não funcionar em outra mais nova. Isso ocorre porque os drivers, arquivos "controladores" dos dispositivos, que informam ao sistema operacional como o dispositivo trabalha, podem ser incompatíveis com a nova versão. Os fabricantes de dispositivos costumam atualizar os drivers para as novas versões de Windows, mas dispositivos antigos tendem a ser abandonados, e cada vez menos, funcionarão nos sistemas mais recentes. Na atualização do Windows XP ou superior, ele identifica dispositivos possivelmente incompatíveis, e caso encontre algum, informa o usuário. Por exemplo, a placa de som poderá ficar sem funcionar, se o novo sistema não possuir os drivers corretos para ela. A solução é instalar os drivers depois de instalar o sistema. Eles devem vir num CD que acompanha o dispositivo, mas quando não se tem esse CD... A saída é procurar alguém que tenha o mesmo dispositivo, do mesmo fabricante, e que tenha o CD ou disquetes de instalação. Como isso é complicado, existe uma infinidade de dispositivos diferentes para tarefas semelhantes, muitas vezes você não encontra ninguém que possua os drivers. O jeito então é apelar para a Internet: site do fabricante, fóruns, sites de drivers de dispositivos... A busca pode ser rápida e fácil, como pode ser demorada e eterna, dependendo do caso. Algumas vezes o dispositivo simplesmente não funciona no novo sistema. Eu mesmo, particularmente... Tenho um computador que estava com o Windows 98. Eu tinha os drivers da placa de som para o Windows 95, 98 e Me. Quando instalei o Windows 2000 e posteriormente, o XP, minha placa de som ficou sem funcionar. Fiquei mais de um ano atrás dos drivers, até que um dia achei, já quase sem esperanças (mas "a esperança é a última que morre", meeeesmo!). Vale a pena checar na instalação, então, se o novo sistema será totalmente compatível ou não com o seu hardware, para evitar dores de cabeça.

Dica: na atualização dos drivers de dispositivos, o Windows pode se conectar ao Windows Update, um centro de atualizações e recursos para o Windows, da Microsoft, a fabricante do sistema. No Windows Update pode ser fácil encontrar os drivers para dispositivos que não funcionavam, pois ele detecta o seu hardware e procura os arquivos certos. Isso, no entanto, só pode ser usado por quem tem o Windows original. Nada mais justo: não pagou pelo sistema, que fique sem as atualizações e suporte continuado!

Nota: algumas versões de Windows que já vem com computadores podem não oferecer a opção de atualização, obrigando o usuário a fazer uma nova instalação. Em outros casos, onde se compra a versão de atualização (que sai mais barata, para quem já tinha uma versão anterior original), é comum que ele não permita uma nova instalação, mas somente uma atualização, aí você deveria estar com o sistema anterior já instalado. Isso vem começando ocorrer com as versões de atualização do Windows Vista. Até o Windows XP, você podia usar uma mídia de atualização para fazer uma instalação nova (também chamada de "instalação limpa"), mas para isso, precisava inserir o disco da versão anterior, para que o Windows confirmasse que você realmente possuía uma versão anterior.
 

O nLite permite fazer algumas personalizações na instalação do Windows, diretamente no CD. Na verdade, você copia o CD para o HD, ele modifica o Windows e gera uma imagem de CD (no formato .ISO), que deverá ser gravada em CD posteriormente. Entre as diversas modificações, ele permite integrar Service Packs e atualizações individuais (como os hotfixes), para já instalar com elas. Pode integrar drivers de dispositivos também, o que ajuda a instalar o Windows em vários computadores com configurações semelhantes. E um dos seus pontos fortes é a remoção de componentes do Windows, deixando a instalação mais rápida e o sistema um pouco mais leve. Remova itens não desejados por você, como o Outlook Express, o Windows Media Player, a gravação integrada de CDs, os jogos, o tema visual e o suporte aos temas, e até o próprio Internet Explorer. De quebra, permite pré-configurar algumas opções do Windows, como a exibição dos arquivos ocultos e das extensões, deixar o tema clássico como padrão, deixar a instalação como a do Windows 2000, sem aquele fundo azul (ela fica mais rápida)... É uma mão na roda para quem instala o sistema de tempos em tempos. Nota: ele requer o .NET Framework 2.0, e o este requer o Windows Installer 3.0.